O Governo do Tocantins deu início, na última sexta-feira (1º), à edição 2025 da Operação Capim-Dourado, com cerimônia realizada no povoado quilombola Mumbuca, localizado no Parque Estadual do Jalapão (PEJ), unidade de conservação sob a gestão do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins). A ação mobiliza diversos órgãos estaduais com o objetivo de combater práticas ilegais relacionadas ao capim-dourado, proteger o Cerrado e assegurar o manejo sustentável dos recursos naturais da região.
Em seu segundo ano consecutivo, a operação foca na fiscalização preventiva da coleta e transporte do capim-dourado e do buriti, além do combate à biopirataria e aos incêndios florestais. A proposta é preservar a cadeia produtiva do artesanato tradicional e proteger o modo de vida das comunidades que têm no capim-dourado sua principal fonte de renda.
Para o gerente de Fiscalização do Naturatins, Cândido José dos Santos Neto, a ação reforça o compromisso do Estado com as comunidades tradicionais.
“A Operação Capim-Dourado representa o esforço do Governo em garantir que a coleta ocorra conforme a legislação, protegendo a biodiversidade e a cultura. Estamos unindo forças para assegurar que o artesanato local continue sendo uma fonte digna de sustento”, afirmou.
A diretora de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Naturatins, Perla Ribeiro, destacou a importância do trabalho conjunto entre órgãos ambientais e comunidades.
“A valorização do capim-dourado como patrimônio e os avanços legais em torno de seu uso sustentável são conquistas relevantes. A cooperação entre a comunidade e o parque fortalece o pertencimento e a conservação do território”, disse. Ela também pontuou a necessidade de atenção às características climáticas do Cerrado, como o período de seca e as altas temperaturas, e mencionou os 25 anos da APA do Jalapão, além da contratação de novos brigadistas e o reconhecimento ao trabalho dos guardas-parques.
O secretário-executivo da Segurança Pública, Reginaldo de Menezes, ressaltou o caráter interinstitucional da operação:
“Esta ação conjunta envolve a Polícia Ambiental, o Graer, o Corpo de Bombeiros e outros órgãos estratégicos. É uma resposta coordenada para proteger nosso ‘ouro do Cerrado’, que é o capim-dourado, um símbolo reconhecido internacionalmente”, frisou.
Representando as comunidades artesãs, a presidente da Associação do Mumbuca, Silvanete da Silva, celebrou o início da operação e destacou os resultados positivos da edição anterior:
“Essa fiscalização é fundamental para valorizar nosso trabalho e impedir ações ilegais. Ano passado tivemos um capim intacto, preservado. Esperamos que este ano o sucesso se repita”, declarou.
Sobre a Operação
A Operação Capim-Dourado 2025 busca garantir que a colheita ocorra dentro do período permitido — de 20 de setembro a 30 de novembro —, conforme estabelece a legislação ambiental. Além da fiscalização, há ações educativas e de conscientização ambiental.
Participam da força-tarefa: Naturatins, Batalhão da Polícia Militar Ambiental (BPMA), Grupo de Operações Aéreas (GRAER), Corpo de Bombeiros Militar, Secretaria do Turismo (Setur), Secretaria da Segurança Pública (SSP) e Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot).
As atividades de fiscalização abrangem os municípios de Mateiros, Novo Acordo, Ponte Alta do Tocantins e São Félix do Tocantins (Jalapão); Santa Tereza e Tocantínia (região central); e Dianópolis, Rio da Conceição, Novo Jardim e Pindorama (sudeste).
Legislação e canais de denúncia
A Lei Estadual nº 3.594/2019 determina a obrigatoriedade de licença ambiental para o manejo e coleta do capim-dourado e do buriti, além de proibir o transporte de material in natura para fora do Tocantins. O descumprimento pode resultar em advertências, multas, apreensões e perda da licença ambiental.
Denúncias sobre práticas ilegais podem ser feitas por meio dos canais:
Linha Verde: 0800 063 1155
Zap Linha Verde (WhatsApp, mensagens de texto): (63) 99106‑7787
O anonimato é garantido em ambas as plataformas.

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