Categoria: Saúde

  • Governo do Tocantins divulga programação do Dia D de vacinação contra o sarampo

    Governo do Tocantins divulga programação do Dia D de vacinação contra o sarampo

    Com objetivo de imunizar toda a população tocantinense contra o sarampo, o Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES/TO), realiza o Dia D de vacinação contra a doença infecciosa aguda neste sábado, 9, a partir das 8 horas, em parceria com todos os 139 municípios. Todas as 323 salas de vacinação no estado já estão devidamente abastecidas com imunizantes.

    A ação do Dia D de vacinação contará com a presença dos representantes da SES/TO; do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (DPNI) do Ministério da Saúde (MS); da Prefeitura de Paraíso; da Secretaria Municipal de Saúde de Paraíso; da Secretaria Municipal de Saúde de Palmas; da Superintendência Estadual do Ministério da Saúde no Tocantins (Sems/TO) e do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Tocantins (Cosems).

    Programação

    Na abertura da ação em Paraíso do Tocantins, serão visitadas duas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Às 8 horas, a programação ocorrerá na UBS Moacir da Paixão, localizada no Setor Santa Clara, rua do Comércio; e às 8h40, a visita será realizada na UBS Gentil Costa, no Setor Interlagos, rua L14.

    Em Palmas, a programação será às 11 horas, no Centro de Saúde da Comunidade Valéria Pereira Martins, que fica na Quadra 1.206 Sul.

    Sarampo

    O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de natureza viral, altamente transmissível, por via aérea, ao tossir, espirrar, falar ou respirar. Ao ser contaminado, o paciente tem de sete a 14 dias de período de incubação e a transmissão pode ocorrer entre seis dias antes e quatro dias após o aparecimento dos sintomas que compreendem dor no corpo e febre alta, manchas avermelhadas, tosse, coriza e conjuntivite. Podem ocorrer complicações como pneumonia, encefalite e óbito.

    Esquema vacinal

    O sarampo tem prevenção por vacinação disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e o esquema vacinal recomendado é:

    -Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias: dose zero com a vacina dupla viral;

    -Crianças de 12 meses: primeira dose (D1) da tríplice viral e, após 30 dias, segunda dose (D2) com a tetraviral (ou tríplice viral + varicela);

    -Crianças de 15 meses a 4 anos 11 meses e 29 dias: segunda dose (D2) da tríplice viral, se já vacinadas aos 12 meses;

    -Pessoas de 5 a 29 anos: duas doses da tríplice viral, se sem histórico vacinal ou com esquema incompleto;

    -Pessoas de 30 a 59 anos: dose única da tríplice viral;

    -Trabalhadores da saúde: duas doses da tríplice viral, independentemente da idade.

  • Uso de anabolizantes altera colesterol e aumenta risco de infarto

    Uso de anabolizantes altera colesterol e aumenta risco de infarto

    No Dia Mundial de Combate ao Colesterol, lembrado nesta sexta-feira (8), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) alerta que o uso indiscriminado de anabolizantes figura, cada vez mais, como fator silencioso de risco cardiovascular – sobretudo entre jovens.

    A entidade define anabolizantes como substâncias cuja estrutura básica se assemelha ao hormônio sexual masculino, a testosterona, e geralmente são utilizados para promover hipertrofia muscular com a finalidade de melhorar o desempenho esportivo ou por questões estéticas.

    “Em contrapartida, elas reduzem significativamente o HDL, conhecido como colesterol bom, e aumentam o LDL, o colesterol ruim. Além disso, promovem resistência à insulina, acúmulo de gordura visceral e outros fatores associados à chamada síndrome metabólica, condição clínica que aumenta o risco cardiovascular de maneira marcante.”

    De acordo com a SBEM, estudo recente publicado pela revista Sports Medicine Open avaliou os efeitos metabólicos do uso de esteroides anabolizantes, insulina e hormônio do crescimento entre fisiculturistas amadores.

    A pesquisa analisou 92 praticantes de musculação e revelou alta prevalência de uso combinado das substâncias.

    “Entre os usuários, foram observadas alterações significativas no perfil lipídico e hepático, como queda expressiva no colesterol HDL, aumento nas enzimas hepáticas ALT e AST e alterações em enzimas ligadas ao metabolismo de ácidos graxos”, destacou a entidade.

    Os achados, segundo a SBEM, sugerem impactos relevantes na saúde metabólica, com elevação do risco cardiovascular mesmo em indivíduos jovens e aparentemente saudáveis.

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    Outro levantamento, publicado pela revista Reviews in Endocrine and Metabolic Disorders , revisou evidências sobre efeitos crônicos de esteroides anabolizantes na saúde metabólica e cardiovascular.

    O estudo corrobora que o uso prolongado das substâncias está associado à redução do colesterol HDL, elevação do LDL, resistência à insulina e maior acúmulo de gordura visceral.

    “O conjunto desses fatores configura a síndrome metabólica, fortemente associada a infarto e acidente vascular cerebral (AVC). O estudo ainda destaca que, mesmo após a interrupção do uso, o organismo pode manter alterações hormonais e inflamatórias que perpetuam esses riscos”, destacou a SBEM.

    Números

    Dados apresentados pela entidade mostram que cerca de 6,4% dos homens já utilizaram anabolizantes e que a taxa pode ser ainda mais alta entre frequentadores de academias.

    Em muitos casos, o uso não se limita a esteroides e envolve também insulina e hormônio do crescimento, o que, segundo a SBEM, potencializa os efeitos adversos.

    “Há relatos de infarto precoce em pessoas com menos de 40 anos, sem histórico familiar, mas com uso frequente dessas substâncias”, alertou.

    Campanha

    Em 2025, a campanha encabeçada pela entidade para o Dia Mundial de Combate ao Colesterol reforça a importância de escolhas conscientes quando o assunto é saúde cardiovascular, classificando como fundamental buscar informação de qualidade e acompanhamento médico antes de qualquer intervenção que afete o metabolismo.

    Prescrição médica

    Em 2023, o Conselho Federal de Medicina (CFM) vetou a prescrição médica de terapias hormonais com esteroides androgênicos e anabolizantes (EAA) com finalidade estética, para ganho de massa muscular e/ou melhora do desempenho esportivo, seja para atletas amadores ou profissionais, por inexistência de comprovação científica suficiente que sustente seu benefício e a segurança do paciente.

    A norma destaca a inexistência de estudos clínicos randomizados de boa qualidade metodológica que demonstrem a magnitude dos riscos associados à terapia hormonal androgênica em níveis acima dos fisiológicos, tanto em homens quanto em mulheres, além da ausência de comprovação científica de condição clínico-patológica na mulher decorrente de baixos níveis de testosterona ou androgênios.

    Dentre os efeitos adversos citados pela entidade estão hipertrofia cardíaca, hipertensão arterial sistêmica e infarto agudo do miocárdio, aterosclerose, estado de hipercoagulabilidade, aumento da trombogênese e vasoespasmo, doenças hepáticas como hepatite medicamentosa, insuficiência hepática aguda e carcinoma hepatocelular, transtornos mentais e de comportamento, incluindo depressão e dependência, além de distúrbios endócrinos como infertilidade, disfunção erétil e diminuição de libido.

  • Casos de covid-19 estão em alta no Ceará e no Rio, aponta Fiocruz

    Casos de covid-19 estão em alta no Ceará e no Rio, aponta Fiocruz

    Os casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) entre as crianças associados ao vírus sincicial respiratório (VSR) permanecem em níveis elevados na maioria dos estados do país. O boletim semanal InfoGripe divulgado nesta quinta-feira (7) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) aponta também que os casos de covid-19 seguem aumentando no Ceará e voltaram a crescer no Rio de Janeiro . Na Bahia, também foi observado o aumento das hospitalizações em crianças e adolescentes, em decorrência do rinovírus.

    O estudo apresenta um cenário de manutenção da tendência de queda dos casos de SRAG associados ao Influenza entre os idosos e ao VSR na população infantil de até 2 anos de idade . O boletim destaca que, na população idosa, os casos de SRAG se mantêm em níveis de moderado a alto em estados do Centro-Sul, além do Norte e do Nordeste.

    A pesquisadora do InfoGripe Tatiana Portela destacou a importância da vacina da covid-19, especialmente para idosos e imunocomprometidos, que precisam tomar doses de reforço a cada seis meses. “Como em alguns estados os casos de SRAG por Influenza A continuam altos, também é importante estar em dia com a vacina contra a gripe”, destaca a pesquisadora.

    Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 13,9% de Influenza A , 1,5% de Influenza B , 44,7% de VSR, 34,6% de rinovírus e 5,6% de Sars-CoV-2 (covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos foi de 51,6% de Influenza A ; 2% de Influenza B , 18,4% de VSR, 18% de rinovírus e 8,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

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    Situação nacional

    Em nível nacional, os casos notificados de SRAG têm sinal de queda nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). No ano epidemiológico 2025, já foram notificados 150.615 casos de SRAG, sendo 80.577 (53,5%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 51.291 (34,1%) negativos, e ao menos 8.853 (5,9%) aguardando resultado laboratorial.

  • Tocantins notifica 44 casos de sarampo; Estado realiza ações de controle e reforça importância da vacinação

    Tocantins notifica 44 casos de sarampo; Estado realiza ações de controle e reforça importância da vacinação

    A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) informou que, até a manhã desta quinta-feira (7), foram notificados 44 casos de sarampo em todo o Estado. Do total, 21 registros são de Campos Lindos, 16 de Palmas, três de Porto Nacional, dois de Araguaína, um de Nova Olinda e um de Gurupi.

    Entre esses casos, 17 já foram confirmados em Campos Lindos. Outros 16 foram descartados, sendo três em Porto Nacional, 12 em Palmas e um em Araguaína e 11 permanecem em investigação.

    De acordo com a SES-TO, todos os pacientes têm histórico de contato com pessoas que viajaram para países com circulação ativa do vírus. Os infectados não estavam vacinados, apresentaram sintomas clássicos da doença e permanecem em cuidados domiciliares.

    Desde o dia 19 de julho, equipes da Vigilância em Saúde do Estado estão em Campos Lindos para conter a propagação do vírus. As ações incluem orientações sobre isolamento, busca ativa de casos e vacinação de contatos das pessoas infectadas. Além disso, foram encaminhadas notas técnicas aos 139 municípios com orientações às áreas de vigilância epidemiológica e imunização.

    Entre julho e agosto de 2025, quase oito mil doses de vacina contra o sarampo foram aplicadas no Tocantins. Segundo a SES-TO, as 323 salas de vacinação do Estado estão abastecidas com imunizantes. No próximo sábado (9), será realizado o Dia D de Vacinação contra o Sarampo, com mobilização em todos os municípios.

    Sobre a doença

    O sarampo é uma doença infecciosa aguda, de origem viral, altamente contagiosa e transmitida por via aérea — ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O período de incubação varia de sete a 14 dias, e a transmissão pode ocorrer desde seis dias antes até quatro dias após o surgimento dos sintomas.

    Os principais sinais clínicos incluem febre alta, manchas avermelhadas pelo corpo, tosse, coriza e conjuntivite. Em alguns casos, o sarampo pode levar a complicações como pneumonia, encefalite e até óbito.

    Prevenção

    A principal forma de prevenção é a vacinação, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema vacinal recomendado é o seguinte:

    Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias: dose zero da vacina dupla viral;

    Crianças de 12 meses: primeira dose (D1) da tríplice viral e, após 30 dias, segunda dose (D2) com a tetraviral (ou tríplice viral + varicela);

    Crianças de 15 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias: segunda dose (D2) da tríplice viral, se já vacinadas aos 12 meses;

    Pessoas de 5 a 29 anos: duas doses da tríplice viral, se não vacinadas ou com esquema incompleto;

    Pessoas de 30 a 59 anos: dose única da tríplice viral;

    Trabalhadores da saúde: duas doses da tríplice viral, independentemente da idade.

    Além da imunização, o isolamento é essencial para conter a disseminação. Pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem evitar frequentar locais públicos, como trabalho ou escola, por pelo menos quatro dias após o surgimento do exantema (manchas vermelhas). Também é recomendado evitar contato com grupos mais vulneráveis, como crianças pequenas e gestantes.

    Outras medidas de prevenção incluem:

    Higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool em gel;

    Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar;

    Uso de lenços descartáveis;

    Limpeza regular de superfícies;

    Isolamento domiciliar durante o período de transmissão;

    Distanciamento social em locais de atendimento a pacientes com suspeita da doença.

    Tratamento

    O sarampo não possui tratamento específico. Os medicamentos são utilizados apenas para aliviar os sintomas. A orientação da SES-TO é que, ao apresentar sinais da doença, o paciente procure imediatamente a unidade de saúde mais próxima para receber a prescrição médica adequada.

  • Fiocruz fecha acordo para produzir canetas emagrecedoras no Brasil

    Fiocruz fecha acordo para produzir canetas emagrecedoras no Brasil

    A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica EMS firmaram dois acordos de parceria para a produção de liraglutida e de semaglutida, princípios ativos de medicamentos agonistas GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

    Em nota conjunta, a Fiocruz e a EMS informaram que os acordos estabelecem a transferência de tecnologia da síntese do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) e do medicamento final para Farmanguinhos, unidade técnico-científica da Fiocruz.

    Inicialmente, a produção dos medicamentos será realizada na fábrica da EMS em Hortolândia (SP) até que toda a tecnologia de produção seja transferida para o Complexo Tecnológico de Medicamentos de Farmanguinhos, no Rio de Janeiro.

    Alta eficácia

    “As injeções subcutâneas oferecem uma abordagem de alta eficácia e são consideradas inovadoras para o tratamento de diabetes e obesidade, marcando mais um avanço significativo da indústria nacional no desenvolvimento de soluções de alta complexidade”, destacou o comunicado.

    Para a EMS, os acordos representam um marco histórico para a indústria farmacêutica brasileira. A Fiocruz destacou que unir forças com parceiros públicos e privados permite somar excelência e inovação e ampliar seu portfólio de produção.

    A Farmanguinhos citou que a produção inaugura a estratégia da Fiocruz de se preparar também para a produção de medicamentos injetáveis, com a possibilidade de incorporação de uma nova forma farmacêutica, além de fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde.

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    Controle

    Desde junho, farmácias e drogarias começaram a reter receitas de canetas emagrecedoras . Além da semaglutida e da liraglutida, a categoria inclui ainda a dulaglutida, a exenatida, a tirzepatida e a lixisenatida.

    A decisão por um controle mais rigoroso na prescrição e na dispensação desse tipo de medicamento foi tomada pela diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril e entrou em vigor 60 dias após a publicação no Diário Oficial da União.

    Em nota, a agência informou que a medida tem como objetivo proteger a saúde da população brasileira, “especialmente porque foi observado um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas pela Anvisa”.

    Uso indiscriminado

    A retenção do receituário de canetas emagrecedoras era defendida por entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.

    Em nota aberta, elas citam que o uso indiscriminado desse tipo de medicamento gera preocupações quanto à saúde da população e ao acesso de pacientes que realmente necessitam desse tipo de tratamento.

    “A venda de agonistas de GLP-1 sem receita médica, apesar de irregular, é frequente. A legislação vigente exige receita médica para a dispensação destes medicamentos, porém, não a retenção da mesma [receita] pelas farmácias. Essa lacuna facilita o acesso indiscriminado e a automedicação, expondo indivíduos a riscos desnecessários”, destacou o documento.

    Sistema Único de Saúde

    Em junho, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) abriu consulta pública para receber opiniões da população a respeito da inclusão da semaglutida nos serviços públicos de saúde. Manifestações sobre o tema foram recebidas até o dia 30 de junho.

    As contribuições vão ajudar a embasar um parecer da comissão, recomendando ou não que o medicamento seja incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS).

    A avaliação da Conitec foi solicitada pela Novo Nordisk, farmacêutica fabricante do Wegovy. Em parecer dado em maio, a comissão recomendou a não incorporação do medicamento devido aos custos elevados para a compra, avaliados em até R$ 7 bilhões em cinco anos.

  • Transporte público melhor pode reduzir mortes em motos, diz Senatran

    Transporte público melhor pode reduzir mortes em motos, diz Senatran

    O cenário de alta nas mortes por quedas, colisões e atropelamentos com motocicletas deve ser enfrentado com a promoção de melhorias do transporte público e maior acesso à Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

    Em entrevista à Agência Brasil , o secretário nacional de Trânsito, do Ministério dos Transportes, Adrualdo de Lima Catão, defendeu que é preciso incluir mais motociclistas no Sistema Nacional de Trânsito, por meio de uma habilitação desburocratizada. Na segunda reportagem da série Rota Perigosa: brasileiros se arriscam em motos por renda e mobilidade , ele também rechaça propostas como a cobrança de impostos sobre motocicletas para compensar os custos da saúde pública com as lesões nos sinistros de trânsito.

    “Como é que você vai criar uma trava penalizando o mais pobre? Isso não resolve essa questão socioeconômica. O caminho não é penalizar o mais pobre, é garantir a segurança para ele num transporte público de qualidade”, disse.

    A frota de motocicletas no Brasil está em uma trajetória de alta e deve alcançar o patamar de 30 milhões de veículos nas ruas nos próximos meses. Em seis estados do Norte e Nordeste, as motos representam mais da metade da frota de veículos: Piauí (55%), Pará (54%), Maranhão (60%), Rondônia (51%), Acre (53%) e Ceará (50%).

    Catão ressalta que, com a melhora da renda, a população tem buscado opções de transporte que compensem as deficiências no transporte público . Essa é uma tendência comum a outros países em desenvolvimento e deve continuar, avalia o secretário.

    “É natural que as pessoas, melhorando a sua renda, queiram melhorar a sua vida. E o transporte é um problema das grandes cidades e das médias cidades também. Então, é nesse sentido que as pessoas estão, ao buscar a motocicleta, fugindo de um transporte coletivo que ainda precisa melhorar.”

    O secretário cita dados levantados pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que mostram a queda da participação dos transportes públicos no total de viagens motorizadas nas regiões metropolitanas brasileiras. A redução média é de 20%, mas em algumas localidades chega a 60%. É o caso da região metropolitana de Manaus, onde o transporte público respondia por 79,8% das viagens motorizadas em 2005 e passou representar apenas 20,4% em 2024 .

    No caso da região metropolitana do Rio de Janeiro, o percentual caiu de 72,2%, em 2012, para 53,1%, em 2024. Na de Salvador, os transportes públicos recuaram de 64,9% para 40,3% das viagens no mesmo período. Já na região metropolitana de São Paulo, a queda foi de 54,1%, em 2017, para 45,4%, em 2024.

    Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

    Agência Brasil: Nós vemos nos últimos anos uma intensificação muito grande do uso de motos no país. Há alguma relação entre esse movimento e a forma como as cidades brasileiras foram estruturadas, priorizando o transporte motorizado?
    Adrualdo de Lima Catão: Não só as brasileiras. Se você for olhar os países em que a frota de moto está crescendo, eles têm semelhanças socioeconômicas. São países de renda média e forte crescimento. As cidades, aqui no Brasil, também são as cidades forte de crescimento, em que o município não acompanhou com a obtenção de um transporte coletivo mais eficiente. Então, isso tem afastado as pessoas. Foi divulgado recentemente pelo BNDES um estudo que mostra quantas pessoas o transporte coletivo perdeu ao longo dos últimos anos. E ele perdeu por quê? Porque, na concorrência com a moto, ele perde, porque ele entrega má qualidade. Para a gente voltar a baixar os sinistros de trânsito, [o caminho é] o transporte coletivo.

    Agência Brasil: A gente tem hoje estados em que a moto já representa 60% da frota. Que dificuldades isso traz em termos de infraestrutura urbana e fiscalização?
    Adrualdo de Lima Catão: A dificuldade que isso traz é pelo simples fato de que a motocicleta, por si só, é um transporte mais vulnerável. Então, tem que repensar a estrutura toda em uma estrutura mais segura. Uma estrutura, por exemplo, que tenha uma gestão de velocidades compatível. Uma estrutura que use moderadores de velocidade de maneira mais adequada. E uma formalização das pessoas que hoje pilotam sem CNH porque o custo é muito alto. Boa parte desses que estão pilotando motocicleta no Brasil está fazendo isso sem a carteira de habilitação. A gente está falando num contingente de cerca de 20 milhões de pessoas que pilotam a moto sem CNH no Brasil.

    Agência Brasil: E o governo tem feito estudos para reduzir o custo da CNH no país e tem sido discutida até gratuidade. Que impacto se espera com essa medida?
    Adrualdo de Lima Catão: Na verdade, não é uma gratuidade, é uma simplificação do processo. O Ministério dos Transportes propôs uma desburocratização, garantindo a liberdade de escolha do cidadão, desobrigando o cidadão de ter que recorrer apenas ao modelo das autoescolas e permitindo que ele estude por plataformas online , para a prova teórica, e faça a aula prática com instrutores autônomos. Essas duas mudanças vão baratear a CNH em até cerca de 80% em alguns casos, mas, na média, de 60% a 70%. Então, isso aí vai incluir as pessoas no Sistema Nacional de Trânsito. Hoje, elas estão excluídas.

    Agência Brasil: Mas também há propostas de gratuidade para a CNH de motociclistas.
    Adrualdo de Lima Catão: O que existiu foi uma lei que autorizou os detrans [departamentos estaduais de Trânsito] a fazer esse programa desse tipo de gratuidade usando o dinheiro das multas. Mas, como hoje a carteira é muito cara, então, esses programas têm acesso muito limitado. Nossa ideia é ir além disso e, além de facilitar os programas de gratuidade, diminuir o custo da obtenção da carteira.

    Agência Brasil: E qual impacto se espera que essa carteira mais acessível tenha nesse cenário de sinistros com motos?
    Adrualdo de Lima Catão: O impacto é aumentar a formalização, colocar essas pessoas para dentro do sistema, para que elas possam ter alguma formação. A formalidade, por si só, já garante um comportamento mais responsável, menos imprudente, porque a tendência daquele que não está formalizado é também ignorar as demais regras de trânsito. A gente sabe que, ao formalizar essas pessoas, eles vão certamente ter uma tendência maior a obedecer à legislação e, portanto, isso vai garantir mais segurança.

    Agência Brasil: O senhor disse que a moto, por si só, né, já traz uma vulnerabilidade maior para o condutor e para o passageiro. Mas há algum outro elemento, na infraestrutura das cidades, culturalmente, no modo como a moto é utilizada, nas características socioeconômicas de quem utiliza, que podem estar associados e aumentando essa letalidade ainda mais?
    Adrualdo de Lima Catão: Eu citaria o aumento da frota que, infelizmente, tem a ver com o transporte público. A infraestrutura das cidades, é claro, tem um impacto, porque, por exemplo, até a política habitacional tem relação com mobilidade. Talvez, se usasse a moto apenas para uma micromobilidade, isso seria um pouco mais seguro. Mas infelizmente não é isso que acontece no Brasil e em outros países do mundo.

    Agência Brasil: Considerando essa questão da vulnerabilidade da motocicleta, qual é a posição da Senatran em relação aos mototáxis, que estão se disseminando cada vez mais nas cidades?
    Adrualdo de Lima Catão : A posição da Senatran é de que a competência para definir se deve proibir ou não é do município, porque isso é um problema de transporte urbano. É o município quem tem que definir. Se ele considerar que deve proibir, deve proibir. Se ele considerar que deve liberar, deve liberar. É um assunto local.

    Agência Brasil : Os limites de velocidade também são uma questão sempre mencionada na segurança viária dos motociclistas. As cidades precisam reduzir os limites de velocidade? Quais são as dificuldades para que isso seja feito?
    Adrualdo de Lima Catão : Eu não falo reduzir, eu digo gerir corretamente as velocidades. Em alguns casos, sim, a gente está falando de redução, mas não é só reduzir, é gerir melhor as velocidades. Será que aquela via tem velocidade adequada para o uso dela? Essa é a pergunta que todo gestor tem que fazer. Aqui, na Senatran, a gente está em consulta pública com um manual de gestão de velocidade para ajudar os municípios justamente nisso, a entender o uso da via, qual é a sua natureza e gerir as velocidades a partir desse conhecimento. E outro guia que a gente já disponibilizou indica os chamados moderadores de tráfego, que são instrumentos de infraestrutura que ajudam as cidades a diminuir, a acalmar o tráfego nas ruas, sem necessariamente envolver radares ou fiscalização, que são muito rejeitados pela população, mas também incluindo a fiscalização. A fiscalização é um elemento, entre outros. Só a fiscalização não resolve, porque ela não é onipresente. Não existe, em cada esquina, um policial, nem tem como existir, em nenhum lugar do mundo.

    Agência Brasil: Há algumas propostas para desencorajar o uso de motocicletas e tem gente que defende, inclusive, até um imposto semelhante ao que é cobrado do cigarro por conta do impacto na saúde pública. Como o senhor vê isso?
    Adrualdo de Lima Catão : Isso é um absurdo, na minha opinião. Pode botar aí [na entrevista]. Você vai penalizar o mais pobre. Como é que você vai criar uma trava penalizando o mais pobre? Isso não resolve essa questão socioeconômica. Esse não é o caminho. O caminho não é penalizar o mais pobre, é garantir a segurança para ele num transporte público de qualidade.

    Agência Brasil: Nessa grande quantidade de sinistros há também motociclistas de aplicativos, que trabalham para plataformas digitais. Como o senhor avalia a resposta dessas plataformas a esse cenário de grande quantidade de sinistros de trânsito?
    Adrualdo de Lima Catão : Eu acho que hoje elas podem ajudar mais, mas elas têm se colocado à disposição e elas têm a possibilidade de ajudar mais no controle e no uso dos dados. Controle de quê? Por exemplo, se o motorista está devidamente habilitado, controle da velocidade desses motociclistas, controle dos sinistros que acontecem sob a sua atividade. Então, tudo isso elas podem ajudar mais, e elas têm se proposto a ajudar mais. E há outros interessados, no âmbito do poder público, trabalhando para essa conformidade. Tanto nós, aqui da Senatran, quanto, por exemplo, as áreas relacionadas à segurança do trabalho. Isso também é uma coisa que impacta na segurança do trabalho. Então, nós temos conversado também com o Ministério Público do Trabalho sobre esse assunto.

    Agência Brasil: Essa busca das populações mais pobres pela moto deve continuar a impulsionar o crescimento da frota no Brasil?
    Adrualdo de Lima Catão : A moto, hoje, é uma alternativa. É por isso que a frota vem subindo muito. As pessoas têm aumentado a renda no Brasil. O Brasil está crescendo, nos últimos três anos, em um ritmo acelerado. Então, é natural que as pessoas, melhorando a sua renda, queiram melhorar a sua vida. E o transporte é um problema das grandes cidades e das médias cidades também. Então, é nesse sentido que as pessoas estão, ao buscar a motocicleta, fugindo de um transporte coletivo que ainda precisa melhorar. Esse é o ponto. Normalmente, as pessoas pensam na segurança no trânsito somente como sinalização, quando, na verdade, esse é claramente um problema socioeconômico e que envolve também questões estruturais das cidades.

  • Governo do Tocantins reativa Comitê Estadual de Aleitamento Materno

    Governo do Tocantins reativa Comitê Estadual de Aleitamento Materno

    Com objetivo de fortalecer as ações de cuidado com a primeira infância, o Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES/TO), reativou, nesta quarta-feira, 6, o Comitê Estadual de Aleitamento Materno do Tocantins (Ceam/TO). Durante a reunião, que ocorreu na sede da SES/TO, foram discutidos o fortalecimento das ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno; e o alinhamento de estratégias interinstitucionais, visando ao avanço das políticas públicas voltadas à saúde da criança.

    “O objetivo da reativação é fortalecer a rede de apoio à amamentação, contribuindo diretamente para a melhoria dos indicadores de saúde da criança no estado, em especial na redução da mortalidade infantil. Com a reativação, o Tocantins reforça seu compromisso com a primeira infância, promovendo ações efetivas que qualificam o cuidado prestado à mãe e ao bebê, fortalecem a atenção primária e impactam diretamente na saúde infantil”, destacou a enfermeira da Área da Saúde da Criança da SES/TO, Elizeth Mendes.

    A enfermeira e obstetra da Escola Tocantinense do Sistema Único de Saúde (Etsus), Liana Barcelar, ressaltou a importância do comitê. “É uma instância importante, porque é onde várias pessoas de diferentes espaços se unem para apoiar, proteger e monitorar o aleitamento materno, que é uma das principais estratégias de redução da mortalidade infantil. O comitê ativado é uma forma de preservar a vida dessas crianças”, pontuou.

    A nutricionista e coordenadora da Rede de Banco de Leite Humano do Tocantins, Walkíria Pinheiro, reforçou que é necessário que o aleitamento materno continue sendo uma prioridade para o estado. “Por isso, nós precisamos monitorar e avaliar as ações que estão sendo feitas nas macrorregiões. Precisamos saber se as mães de todo o Tocantins, depois que ganham o bebê, estão conseguindo amamentar, elas precisam receber todo o apoio para se sentirem preparadas ao amamentar o bebê”, salientou.

    Comitê

    O Comitê Estadual de Aleitamento Materno do Tocantins (Ceam/TO) foi instituído pela Portaria Sesau/Gabsec nº 1.501, em 11 de dezembro de 2013, considerando que o incentivo ao aleitamento materno é uma ação estratégica adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde (MS) na promoção da alimentação saudável, na redução da mortalidade e morbidade infantil, no melhor crescimento e no desenvolvimento e na melhora da qualidade de vida da criança.

    O Ceam/TO é interinstitucional e multiprofissional, com caráter técnico-científico, educativo, ético, normativo, informativo e de assessoria, visando subsidiar as políticas públicas e as ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno no Estado do Tocantins.

    É composto por representantes da SES/TO; da Secretaria Municipal de Saúde (Semus) de Palmas; do Centro de Referência Estadual para Bancos de Leite Humano; da Pastoral da Criança; da Sociedade Tocantinense de Pediatria (Stop); da Sociedade Tocantinense de Ginecologia e Obstetrícia (Sogito); da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiros Obstetras (Abenfo); do Conselho Regional de Nutricionistas (CRN); da Universidade Federal do Tocantins (UFT); da Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas); do Conselho das Secretarias e Secretários Municipais de Saúde (Cosems/TO); e do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca).

  • Rio amplia vacinação contra covid-19 para pessoas com baixa imunidade

    Rio amplia vacinação contra covid-19 para pessoas com baixa imunidade

    As pessoas com imunossupressão, ou seja, com o sistema imunológico fragilizado, o que as torna mais suscetíveis a infecções e doenças, poderão procurar as 240 salas de vacinação instaladas em todo o município do Rio de Janeiro

    A Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS) informou que começou a oferecer, esta semana, a vacina contra a variante JN.1 da covid-19. De acordo com o órgão, com a chegada de novas doses, outros grupos prioritários também serão vacinados. O imunizante para crianças até 5 anos também está sendo aplicado.

    >>Estudo genético na Maré mostra evolução da covid-19 com impacto global

    O município do Rio já vacinou idosos residentes nas Instituições de Longa Permanência (ILPI) e o grupo acima de 60 anos nas unidades de saúde . Outros grupos serão contemplados de forma escalonada, conforme o envio de doses pelo Ministério da Saúde e diretrizes estabelecidas.

    Além da vacinação contra a covid, a Secretaria também orienta sobre a importância da imunização contra a influenza para prevenção da doença. A vacina contra a gripe está disponível para todas as pessoas acima de seis meses de idade.

  • Moto cresce como opção perigosa para quem teve mobilidade negada

    Moto cresce como opção perigosa para quem teve mobilidade negada

    No começo de 2024, Laura Maria de Oliveira, de 59 anos, trabalhava como diarista e estava satisfeita por ter conseguido um emprego de carteira assinada como empregada doméstica. No dia 1º de março, ela saiu de casa de manhã, em Cascadura, na zona norte do Rio de Janeiro, em direção à casa dos patrões na Tijuca, também na zona norte.

    A empregada doméstica optou por uma moto de aplicativo para economizar cerca de uma hora no deslocamento , o que costumava ser possível porque os motociclistas cortavam o congestionamento trafegando no meio dos carros. Naquele dia, entretanto, um automóvel trocou de faixa sem dar seta, atingindo a moto que a transportava.

    “Eu cheguei a ver o carro fechando a gente e apaguei. A minha sorte é que o trânsito estava muito parado e ele não estava em alta velocidade. Mas, antes disso, o motoqueiro estava correndo muito. Eu usei muito esse serviço, e, em praticamente todas as vezes, eles corriam muito e ficavam olhando o celular. Um risco muito grande.”

    Laura ficou 14 dias internada esperando vaga em cirurgias para tratar diáfises de úmero e clavícula, e também reparação do nervo radial. Um ano e cinco meses depois, ela vai passar por um terceiro procedimento para retirar a placa inserida no úmero, que prejudica os movimentos do seu cotovelo. Mesmo assim, é possível que ela não os recupere completamente. Em acompanhamento no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), ela ainda não conseguiu voltar a trabalhar.

    “Estava há vários sem um trabalho com carteira assinada e tinha começado há 15 dias. E eu ainda ia fazer outro trabalho extra, como diarista. Eu tinha duas rendas. Até passar o período de análise do INSS e obter o benefício, foi uma espera muito grande. Foi muito complicado”, lembra ela. “Pra mim, não existe mais esse transporte. Eu tenho um filho que tem moto, e nem com o meu filho eu ando mais. Não quero mais passar por isso na minha vida.”

    Alternativa perigosa

    O crescimento do uso de motocicletas no Brasil reflete uma alternativa perigosa encontrada por quem teve o direito à mobilidade negligenciado . O alerta é do oficial técnico em segurança viária e prevenção de lesões não intencionais da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) no Brasil Victor Pavarino e abre a série Rota Perigosa: brasileiros se arriscam em motos por renda e mobilidade , em que a Agência Brasil discute os impactos do aumento da frota de motocicletas na segurança viária e na saúde pública.

    “O que está acontecendo é uma consequência, mas também um indicador dos problemas desse sistema de mobilidade centrado e feito à imagem e semelhança de sua majestade, o automóvel. Foi pensado desde os anos 1950 dessa forma e está entrando em colapso”, critica o especialista.

    Doutor em transportes pela Universidade de Brasília, Pavarino descreve que, em cidades construídas para carros particulares e com modais de transporte coletivo com abrangência ou qualidade insuficiente, a moto ganha cada vez mais espaço entre as opções de deslocamento.

    Na outra ponta, famílias de menor renda adquirem as motos por serem mais acessíveis que os automóveis, e trabalhadores informais em busca de renda assumem riscos em jornadas exaustivas e sem proteção de vínculos formais ou seguridade social, como entregadores ou mototaxistas de aplicativos.

    “Toda a questão do trânsito, por qualquer modal, tem uma ligação direta com as questões sociais e econômicas. Mas, no caso da moto, essa relação é gritante. De certa forma, joga na nossa cara a implicação social, econômica e trabalhista que tem a questão do transporte.”

    Frota cada vez maior

    A frota de motocicletas no país está em expansão. Segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), o número de veículos motorizados de duas rodas cresceu 42% de 2015 a 2024, quando atingiu o patamar de 35 milhões de unidades no país.

    Só no ano passado, o número de motos vendidas aumentou 18,6% , alcançando o maior patamar desde 2011 . Para 2025, a expectativa é de mais uma alta, de 7,7%, ultrapassando 2 milhões de emplacamentos em um ano.

    Se forem contabilizadas apenas as motocicletas, os veículos em circulação no país eram 29 milhões em junho de 2025, segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Cinco anos antes, em 2020, o país tinha uma frota de 23,4 milhões, o que mostra que houve um acréscimo de quase 6 milhões de motocicletas nas ruas brasileiras.

    “De certa forma, o que está ocorrendo com a moto é que um imenso segmento da população, não só do Brasil, está recorrendo a uma possibilidade de mobilidade que lhes foi negada durante décadas”, pondera Pavarino. “É difícil a gente falar que não se pode ou não se deve usar motos, enquanto, em muitos casos, como em favelas, ela é a única forma que boa parte da população tem para chegar até sua casa e como ganha-pão”, contextualiza Pavarino.

    Entre as principais respostas necessárias, o especialista em segurança viária da Opas defende medidas de impacto coletivo, como o fortalecimento do transporte público, a adoção de tarifa zero e o encorajamento dos deslocamentos por caminhada e bicicletas, por meio de cidades mais convidativas ao pedestre e ao ciclista.

    Essas medidas precisam ser adotadas para que se interrompa a migração dos usuários de transporte público para as modalidades de transporte individual motorizado, entre as quais a moto é a mais arriscada.

    “A moto tem, sim, seus problemas. É um veículo que é intrinsecamente mais vulnerável que os demais, por questões óbvias, porque está compartilhando o espaço viário com outros veículos de massa maior e em velocidade. Em algumas situações, chega a ser mais vulnerável que o próprio pedestre. Mas a questão que a gente está vendo da sinistralidade com moto não é uma questão simplesmente de trânsito. É uma questão social, econômica e de trabalho, envolvendo tantas outras coisas, e que eclode no trânsito”, aponta o especialista da Opas

    Na cerimônia de abertura da Conferência Nacional de Segurança no Trânsito, realizada em Brasília nesta semana, o secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, avaliou que os problemas relacionados ao uso da moto se dão principalmente em cidades médias que vivenciaram crescimento acelerado, sem que houvesse investimentos equivalentes em transporte coletivo. Além disso, em seis estados do Norte e Nordeste, as motos representam mais da metade da frota de veículos: Piauí (55%), Pará (54%), Maranhão (60%), Rondônia (51%), Acre (53%) e Ceará (50%).

    “A gente não pode tratar esse tema como se fosse de mera escolha individual. O cidadão escolhe a motocicleta porque não deram a ele uma alternativa segura. Não há bala de prata para essa questão, mas, se houvesse, seria o transporte coletivo de qualidade.”

    Veículo mais letal

    Juntamente com mais possibilidades de locomoção e trabalho para seus condutores, o aumento da frota no país também tem contribuído para o número de óbitos no trânsito. Segundo o Atlas da Violência 2025, o usuário da motocicleta é, atualmente, a maior vítima dos sinistros de trânsito no Brasil, que registra um aumento do número de mortes desde 2020.

    Em 2019, houve 31.945 vítimas do trânsito no Brasil, número que aumentou nos anos seguintes até chegar a 34.881 em 2023. Neste mesmo período, o número de vítimas de sinistros com motos subiu de 11.182 para 13.477.

    Esses números mostram que, a cada três pessoas que morrem no trânsito no Brasil, uma foi vítima de um sinistro envolvendo motocicletas. Além disso, entre as quase 3 mil mortes a mais por ano que o país registrou em 2023, em relação a 2019, quase 2,3 mil vieram apenas desses incidentes.

    Embora as motos representassem apenas cerca de 22,5% dos veículos em circulação no país em 2023, as colisões, quedas e atropelamentos envolvendo esses veículos causaram 38,6% das mortes no trânsito naquele ano.

    Essa mortalidade é ainda mais presente nos estados em que a moto já superou o automóvel. No Piauí, por exemplo, onde elas já passam dos 50%, os sinistros com motos representam quase 70% das mortes no trânsito.

    Respostas imediatas

    Ao mesmo tempo em que é preciso incentivar o transporte público e enfrentar as desigualdades que aceleram o crescimento do uso de moto, os danos imediatos ligados à sua disseminação podem ser reduzidos por medidas de curto prazo. A fiscalização do cumprimento das regras de segurança está entre as principais, explica o especialista Victor Pavarino.

    “A gente não pode deixar de dar resposta ao que está acontecendo agora, imediatamente. Tem gente morrendo neste momento nas pistas”, afirma ele, que cita precauções essenciais. “O uso, por exemplo, do capacete. O uso de vestimenta apropriada, a qualidade da mecânica, os freios ABS para moto, entre outras coisas. Tudo isso vai ajudar na redução de danos.”

    O leque de medidas sugeridas pela Opas, com evidências já observadas, inclui também a obrigatoriedade do uso de luzes de circulação diurna, a garantia de pavimentos de qualidade nas vias, o uso de roupas refletoras de luz, as inspeções periódicas nos veículos e a redução dos limites de velocidade nas cidades.

    Nesse cenário, o transporte de passageiros por motociclistas de aplicativos requer regulamentação não apenas na questão das regras de trânsito, mas nos aspectos de saúde do trabalhador, defende Pavarino . “Essas pessoas trabalham oito, 12 horas por dia, e, obviamente, na condição com que elas vão trabalhar, elas vão ficar ainda mais vulnerabilizadas”, destaca ele.

    Além de lidar com o cansaço e o desgaste de tantas horas no trânsito, esses motociclistas também precisam conduzir o veículo, muitas vezes, levando passageiros inexperientes.

    “Diferentemente de um carro, quem está na garupa de uma moto, de certa forma, também está conduzindo. Ele [o passageiro] tem também um papel em relação à forma com que ele coloca o corpo dele, inclinando, para lá e para cá, nas curvas.”

    Epidemia

    Assim como o número de motos e o de mortes no trânsito, cresce também o de pessoas atendidas nas emergências do Sistema Único de Saúde (SUS) por conta de colisões, quedas, atropelamentos e outros sinistros sobre duas rodas.

    Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em média, de 70% a 75% das unidades de terapia intensiva adultas, nos serviços de urgência dos hospitais gerais, estão ocupadas por pacientes vítimas do trânsito como um todo, e a grande maioria dessas pessoas estava usando motos.

    “Não tem hospital que dê conta se a gente não conseguir enfrentar essa verdadeira epidemia de acidentes de moto”, disse o ministro, que participou de uma cerimônia na última sexta-feira (1º) em que foram anunciados recursos para triplicar as cirurgias ortopédicas no Hospital Municipal Barata Ribeiro, no Rio de Janeiro.

    O ministro defendeu parcerias com as empresas de aplicativo para que haja um esforço de prevenção às infrações de trânsito, como o excesso de velocidade. Além disso, Padilha destacou os estudos realizados pelo governo federal para reduzir os custos para a emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Segundo a Senatran, metade das pessoas donas de motocicletas não tem carteira de habilitação.

    “Tudo o que a gente puder prevenir vai reduzir o custo para o Sistema Único de Saúde, vai abrir mais leitos para a gente poder cuidar dos outros problemas. Às vezes, é cancelada uma cirurgia de câncer que a pessoa está esperando há muito tempo, uma cirurgia cardiológica, porque entra na urgência uma pessoa que foi vítima de um acidente de moto e tem que ocupar o centro cirúrgico, ocupar o leito de UTI. Então, além do custo financeiro, do custo para a vida da pessoa que sofre o acidente, tem um custo para todos os hospitais, para rede, para o sistema e para outras pessoas também.”

  • Hospital Dona Regina abre Campanha Agosto Dourado e reforça importância da amamentação no Tocantins

    Hospital Dona Regina abre Campanha Agosto Dourado e reforça importância da amamentação no Tocantins

    O Hospital e Maternidade Dona Regina Siqueira Campos (HMDR), em Palmas, realizou nesta terça-feira (5) a abertura da Campanha Agosto Dourado, que neste ano traz o tema “Priorize a amamentação: crie sistemas de apoio sustentáveis”. O objetivo é conscientizar sobre a importância do aleitamento materno para a saúde da mãe e do bebê, além de incentivar a responsabilidade compartilhada entre família, profissionais de saúde e sociedade.

    A programação inclui palestras, oficinas, rodas de conversa, cursos e reuniões que ocorrerão em diferentes municípios do Tocantins ao longo do mês.

    O evento contou com a presença do secretário de Estado da Saúde, Carlos Felinto, do diretor do HMDR, Fernando Pinheiro de Melo, além de representantes do Rotary Club de Palmas, Sociedade Tocantinense de Pediatria (STP), Comitê de Prevenção de Óbito Materno, Fetal e Infantil (CEPOMFI), Rede de Banco de Leite Humano do Tocantins (rBLH/TO) e a banda do 22º Batalhão de Infantaria Mecanizada da PMTO.

    Autoridades destacam importância da campanha

    O secretário Carlos Felinto agradeceu o trabalho das equipes e ressaltou o impacto do atendimento oferecido às mães.

    “Minha esposa já foi acolhida aqui no Banco de Leite e foi muito bem atendida. É muito importante entregar um trabalho digno à sociedade. Que neste Agosto Dourado continuemos acreditando no nosso trabalho e no que é melhor para a saúde da mãe e do bebê”, afirmou. 

    Para o diretor do hospital, Fernando Pinheiro de Melo, a campanha é uma missão coletiva:

    “Quero parabenizar a equipe pelo compromisso e convidar todos a incentivar a valorização da amamentação, alimento valioso para o bebê. É gratificante iniciar as ações com essa dedicação”, disse.

    A coordenadora do BLH/HMDR, Walkíria Pinheiro, enfatizou a importância do apoio às mães:

    “Não é responsabilidade só delas, é responsabilidade de todos nós para que consigam amamentar. Realizamos esse evento há 25 anos porque entendemos que o aleitamento é fundamental para a saúde da mãe, do bebê e da família”, destacou.

    Histórias e participação

    Entre as participantes, a lactante Patrícia Vieira, de Dianópolis, compartilhou sua experiência ao amamentar o filho Samuel, de cinco meses.

    “Sempre foi fácil para mim, e acho muito importante apoiar o Agosto Dourado porque ajuda outras mães que não podem amamentar”, relatou.

    Campanha e significado do Agosto Dourado

    A campanha é instituída pela Lei Federal nº 13.345/2017. A cor dourada foi escolhida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) por considerar o leite materno um “alimento de ouro” para o desenvolvimento do bebê.

    Doação de leite

    Quando a mãe não pode amamentar, é possível contar com o apoio de doadoras. Interessadas em contribuir podem entrar em contato pelos telefones (63) 3027-5083 e 3027-5120.

    Números que impressionam

    Entre 2006 e julho de 2025, os Bancos de Leite do Tocantins registraram:

    209,7 mil atendimentos em grupo e 554,8 mil atendimentos individuais;

    40,1 mil doadoras de leite humano;

    40,5 mil litros de leite coletados;

    Mais de 31,8 mil bebês beneficiados.

    De janeiro a junho de 2025, foram atendidas 11.702 mães, 411 bebês receberam doação de leite e 1.294 litros foram coletados.